Exames preventivos: o que a pesquisa do IBGE revela
Exames preventivos: entenda a nova pesquisa do IBGE que vai medir a saúde de milhares de brasileiros e por que monitorar seus biomarcadores importa e muito.
7/11/20267 min read


Exames preventivos: o que a pesquisa do IBGE revela
Nos próximos meses, é bem provável que você veja um entrevistador do IBGE batendo na porta de alguém que você conhece — ou até na sua. Não é campanha de vacinação, nem pesquisa eleitoral: é a Pesquisa Nacional de Saúde 2026 (PNS 2026), o maior levantamento domiciliar sobre saúde já feito no país, que começou a ser aplicado em todo o Brasil.
A notícia pode até parecer só mais um dado estatístico, mas ela é uma ótima oportunidade para falar de algo que muita gente adia: os exames preventivos. Neste post, vamos explicar com calma o que essa pesquisa está medindo e, principalmente, por que monitorar seus próprios biomarcadores — mesmo sem ser sorteado para a pesquisa do governo — pode ser um dos hábitos mais importantes para a sua saúde depois dos 50 anos.
O que é a Pesquisa Nacional de Saúde e por que ela é tão grande
A PNS é conduzida pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, e essa é já a terceira edição, depois de 2013 e 2019. A operação vai visitar cerca de 140 mil domicílios em todos os estados brasileiros até o final de novembro, com cerca de 1.800 entrevistadores percorrendo o país para coletar informações sobre condições de saúde, hábitos de vida, acesso a serviços de saúde e a ocorrência de doenças crônicas na população.
O tamanho da pesquisa não é exagero: é o que permite que os resultados representem de forma confiável a realidade de saúde de todo o país, não só de quem foi entrevistado. Cada domicílio selecionado representa um conjunto muito maior de lares com características parecidas — por isso a participação de cada família visitada é tão importante para a qualidade dos dados.
Além disso, por ser a terceira edição, a PNS 2026 vai permitir comparar os indicadores com os das pesquisas anteriores, mostrando como o perfil de saúde dos brasileiros mudou ao longo de mais de uma década — incluindo temas como hipertensão, obesidade, tabagismo, saúde mental e saúde da população idosa.
Aferições físicas: pressão, peso e altura na própria entrevista
Uma parte da novidade está na forma como os dados são coletados. Além do questionário tradicional, os participantes selecionados para a entrevista individual vão ter a pressão arterial, o peso e a altura aferidos diretamente durante a visita, em vez de depender apenas do que a pessoa relata de memória.
Essa mudança parece pequena, mas é significativa: medir com aparelho, em vez de perguntar "qual é a sua pressão?", entrega dados muito mais confiáveis sobre temas como hipertensão e excesso de peso — dois dos fatores de risco modificáveis mais associados a doenças cardiovasculares, um dos principais problemas de saúde da população acima de 50 anos no Brasil.
A hipertensão, em particular, é conhecida como uma condição silenciosa: boa parte das pessoas que convivem com pressão alta não sabe disso, porque raramente sentem algum sintoma. É exatamente esse tipo de situação que uma aferição direta, feita por um profissional, ajuda a revelar — e é o mesmo motivo pelo qual medir a própria pressão de vez em quando, mesmo fora de uma pesquisa oficial, é um hábito tão valioso.
A grande novidade de 2026: coleta de biomarcadores
O ponto mais interessante da edição deste ano é a coleta de biomarcadores. Entre julho e outubro, uma subamostra de 15 a 20 mil moradores com 35 anos ou mais, em capitais e regiões metropolitanas, vai participar de uma coleta domiciliar de sangue e urina — sim, o próprio IBGE vai até a casa da pessoa para isso.
Os exames previstos incluem hemograma, perfil lipídico (o famoso "colesterol"), hemoglobina glicada (que indica o controle do açúcar no sangue ao longo dos últimos meses), creatinina (relacionada à função dos rins), ácido úrico, sódio, potássio, além de sorologia para chikungunya e dosagem de chumbo e mercúrio, para avaliar exposição a contaminantes ambientais.
Traduzindo para o dia a dia: são praticamente os mesmos exames que um médico pede num check-up de rotina. A diferença é que, aqui, o objetivo é mapear a saúde do país inteiro — e os participantes, como benefício, recebem os resultados dos próprios exames de graça.
Para quem não está familiarizado com os termos, vale uma tradução rápida: o hemograma dá um panorama geral do sangue, incluindo sinais de anemia ou infecções; o perfil lipídico mostra os níveis de colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos; a hemoglobina glicada funciona como uma "média" do açúcar no sangue dos últimos dois a três meses, sendo um dos principais exames para rastrear diabetes; a creatinina avalia o funcionamento dos rins; e o ácido úrico, o sódio e o potássio ajudam a identificar desde risco de gota até desequilíbrios que afetam o coração e os músculos.
Conhecer o significado básico desses exames ajuda bastante na hora de conversar com o seu médico — você entende melhor o que cada resultado indica, principalmente quando o assunto é colesterol e glicemia, que têm ligação direta com a saúde intestinal e os hábitos alimentares do dia a dia
Por que isso deveria te motivar a fazer os seus próprios exames
Você provavelmente não será um dos 20 mil sorteados para a coleta de biomarcadores do IBGE. Mas a boa notícia é que não precisa esperar por isso: os mesmos exames que a pesquisa está aplicando — hemograma, perfil lipídico, glicada, função renal — estão disponíveis para qualquer pessoa através do SUS ou de laboratórios particulares, geralmente com um pedido médico.
Depois dos 50 anos, o acompanhamento regular desses indicadores ganha ainda mais peso. Condições como colesterol alto, pré-diabetes e hipertensão costumam ser silenciosas por anos, sem sintomas evidentes — e é por isso que vale a pena em vez de ignorar exames de rotina por medo do resultado.
Uma boa referência prática é perguntar ao seu médico com que frequência esses exames deveriam ser repetidos no seu caso específico. Para a maioria dos adultos sem condições pré-existentes, o intervalo costuma ficar entre um e dois anos, mas quem já tem diagnóstico de hipertensão, colesterol alto ou diabetes normalmente precisa de acompanhamento mais frequente, definido individualmente pelo profissional que acompanha o caso.
A pesquisa também vai além dos exames de sangue
Vale destacar que a PNS 2026 não se limita a medir pressão e coletar sangue. O questionário aplicado pelos entrevistadores também investiga temas como tabagismo, saúde mental, saúde bucal e saúde da população idosa — assuntos que já tratamos várias vezes por aqui.
Esse é mais um lembrete de que a prevenção de doenças crônicas vai muito além dos exames laboratoriais: parar de fumar, cuidar da saúde mental e manter hábitos regulares de sono e alimentação entram na mesma conta que colesterol e glicemia quando o assunto é reduzir o risco de doenças cardiovasculares, respiratórias e metabólicas ao longo da vida.
O melhor horário para fazer seus exames de sangue
Já que estamos falando de exames, vale um adendo prático sobre o ritmo circadiano do próprio corpo — tema que já exploramos aqui no blog. A maioria dos exames de sangue, como glicemia, perfil lipídico e hemoglobina glicada, é tradicionalmente coletada pela manhã, em jejum de 8 a 12 horas, exatamente para captar os valores mais estáveis, sem a interferência de refeições recentes.
Isso não é só tradição de laboratório: os níveis de glicose, triglicerídeos e alguns hormônios variam ao longo do dia, seguindo o próprio relógio biológico. Fazer o exame sempre em condições parecidas — mesmo horário, mesmo tempo de jejum — também ajuda a comparar resultados de um ano para o outro de forma mais confiável, já que reduz variações que não têm a ver com sua saúde real, mas só com o horário da coleta.
Se você tem exames agendados, vale a pena seguir à risca as orientações de jejum e horário passadas pelo laboratório ou pelo seu médico — isso faz diferença real na precisão dos resultados.
5 Passos Práticos para Colocar seus Exames em Dia
Marque uma consulta de rotina. Se já faz mais de um ano desde o último check-up, esse é o primeiro passo — o médico vai indicar quais exames fazem sentido para o seu histórico.
Peça os exames básicos de monitoramento. Hemograma, perfil lipídico, glicemia (ou hemoglobina glicada) e função renal são a base de um acompanhamento preventivo, especialmente depois dos 50 anos.
Não esqueça da pressão arterial. Ela pode — e deve — ser medida em qualquer consulta, ou mesmo em farmácias e postos de saúde, sem necessidade de exame de sangue.
Siga as orientações de jejum e horário à risca. Isso garante resultados mais confiáveis e comparáveis entre um exame e outro.
Guarde e compare seus resultados ano a ano. Ter um histórico dos próprios biomarcadores ajuda você e seu médico a identificar tendências antes que virem problemas.
Uma notícia do governo que vale a pena virar hábito pessoal
A Pesquisa Nacional de Saúde 2026 é, antes de tudo, um retrato coletivo — mas ela também é um bom lembrete individual. Se o país inteiro está sendo mobilizado para medir pressão, colesterol e glicemia, talvez seja um bom momento para você também colocar seus próprios exames em dia, sem esperar por nenhuma pesquisa.
Cuidar dos seus biomarcadores não precisa ser complicado nem assustador: é, na prática, um hábito de prevenção simples, que costuma custar menos e doer muito menos do que lidar com uma doença crônica já instalada.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Consulte sempre um médico para saber quais exames são adequados ao seu caso e com que frequência devem ser repetidos.
